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02/06/2023

são paulo


estou aprendendo a gostar mais de são paulo 
graças à arte

eu amo tudo o que compõe a arte paulista. aprecio a arquitetura, aprecio os pixos e grafites nos muros e paredes. tudo isso fica lindo de manhã, quando o sol bate e faz os prédios se destacarem com uma luz dourada ou cor de rosa, dependendo do dia. 

vejo muitas árvores, apesar de não ser uma vegetação ampla como em outros lugares, já que quem não é daqui sempre diz que sp não tem árvore. concordo que poderia ter mais. elas deram lugar para estradas onde passam milhares de veículos ao dia. algumas ruas são escassas de árvores, então encontrá-las traz alguma satisfação para os olhos e um pouco de paz ao espírito. 

o problema da grande são paulo, assim como em todos os outros lugares do mundo, é o capitalismo. esse excesso de veículos que não param por um segundo deixam o trânsito extremamente lento, e o que deveria ser prático e confortável torna-se um estresse. 

as pessoas são frias e estressadas, porque nada parece colaborar para chegar a tempo no trabalho, comparecer ao exame na hora marcada, ou chegar em casa depois de um dia difícil.

as grandes indústrias são barulhentas e a maioria não se preocupa com o meio ambiente. o ar é pesado em são paulo. por isso eu aprecio tanto as árvores que encontro pelo caminho. a rotina é pesada. não se sabe o que esperar do trânsito ou das pessoas, tudo é sempre muito instável. 

quem foi o gênio que inventou são paulo? 

preciso bater palmas para o inventor da estética que aqui predomina, porque sinto muitas coisas com esse visual. a constante ansiedade no estômago. a cultura romântica do vício em trabalho. a sensação de estar sendo explorada de forma desumana. o conforto em ver os lugares pixados e ver que não sou a única emburrada com o sistema. a maravilha dos grafites coloridos nos prédios e das rimas nos espaços públicos. 

você me esmaga, mas eu ainda consigo te amar.

14/04/2022

jornalismo

no fim do ano passado, fiquei alguns dias sem celular e não foi tão ruim. 

meu celular, comprado em 2017, decidiu no dia do natal que não queria mais ser funcional neste mundo. me perguntei o que ia fazer da vida. 

eu sei que a vida não é só ficar no celular o tempo inteiro, afinal eu me sinto mal se eu não der um tempo de telas e sair pra ver a vida real. mas não me senti tão entediada sem o aparelho. meu passatempo foi assistir televisão e ver notícias sobre o país e mundo.

o que me deu bastante tédio (e revolta) foi assistir ao jornalismo da record. a minha família só assiste essa emissora, por isso eu não assisto televisão há uns bons anos aqui em casa. 

nos jornais, só se vê tragédias. não que não seja importante informar sobre esses acontecimentos que, infelizmente, fazem parte do cotidiano. a informação serve para nos conscientizar. mas o que vemos são elogios ao trabalho da polícia militar ao vivo e glorificação de ações de uma instituição racista e assassina. para mim, é impossível compactuar com isso.

hoje, eu estava vendo notícias sobre são paulo na globo. não vou dizer que o jornalismo da globo é espetacular, porque veículos grandes de mídia são desagradáveis na maioria das vezes. mas acredito que eles saibam informar melhor a população. percebi que eu mal conheço as regiões de são paulo e tive vontade de sair pra conhecer tudo.

devo admitir que eu amo jornalismo. a coleta de informações para produzir notícias é um processo bem detalhado e me interessa muito. além disso, o jornalismo é onipresente e político, considerando que se trata de representar a nossa diversidade em vivências e ideias.  

eu gosto como o jornalismo, sendo um campo de pesquisa, se atrela a tudo. dialoga com a história, que trata de acontecimentos sem paralelos, pois são sempre singulares.

a arte rupestre, por exemplo, teria sido uma forma de jornalismo? não dá pra ter certeza da finalidade delas, se tinha um sentido estético, religioso, mas representativo sim. é algo que assegura a preservação da sua memória. coisa que o jornalismo faz diariamente com diferentes acontecimentos. 

fico a questionar quando comecei a desgostar do jornalismo ao mesmo passo que amo.

a resposta talvez esteja na própria história do jornalismo. o jornalismo passou a ser algo detestável quando começou a andar ao lado do capitalismo e servir como propaganda, controlada pela classe social dominante e exclusivamente a favor deles, submetendo todos os demais a condições insustentáveis de vida.

sendo assim, tenho uma relação de amor e ódio com jornalismo. amo a sua essência e odeio sua aparência.