ontem fui ao meu novo lugar favorito para comer: o mana poke.
poke de salmão é a minha escolha de sempre, e nunca experimentei com outra proteína. eu decidi que é minha comida favorita. sempre falei que batata frita é minha comida favorita, agora caiu para segundo lugar.
normalmente, gosto de montar o meu. por algum motivo, salmão estava indisponível no totem, então escolhi um poke pronto do cardápio que o tivesse. se chama "poke perfeito" e contém ingredientes que eu nunca tinha experimentado antes, por exemplo: shimeji. não me lembro de ter comido antes, mas achei gostoso. só senti falta de manga, eu sempre coloco.
eu gosto muito de sair para comer sozinha, não me sinto incomodada de não ter companhia nos lugares. fico encarando minha comida, imersa nos meus pensamentos, refletindo sobre o momento em que me encontro na vida.
| esse é o poke perfeito. veio com molho tarê e também pedi um refri de limão siciliano e banoffee. |
enquanto amassava o bowl acima, pensei que: atualmente, me sinto feliz comigo mesma. graças à terapia, estou encarando a vida com mais leveza. minha motivação sobre meus objetivos pessoais voltou, comparado a como estive me sentindo nas últimas semanas: um tanto desanimada, apenas existindo.
para mim, é um entretenimento ouvir a conversa dos outros. sentei perto de um casal, um homem e uma mulher. a mulher falava demais, e quando o homem respondia, mal dava para ouvir sua voz. fiquei formulando hipóteses sobre a vida do casal. depois eles foram embora.
no lugar deles, sentou outro casal. quer dizer, imaginei que fosse um casal. só olhei a mulher e a achei lindíssima pelas suas sobrancelhas cheias e o cabelo escuro brilhoso. não pude ver o homem, mas ouvindo sua voz, ele tem um jeito “açucarado”. ele a trata muito bem. estavam conversando sobre seus empregos. terminei de comer, devolvi a bandeja e saí.
o restaurante fica próximo a um bosque que é uma das principais referências da minha cidade. olhei para as grades amarelas do bosque e fui pega pela nostalgia de repente. um dia elas já foram verdes.
lembrei da minha infância e dos momentos malucos que vivenciei lá durante minha adolescência.
quando eu era pequena, o escorregador de uns 4 metros (estou chutando o tamanho) parecia gigantesco e assustador. quem conseguisse subir eu declarava como uma pessoa corajosa. ele continua lá hoje em dia e parece tão bobinho. quando se é pequeno, tudo parece grande demais. eu achava o bosque tão extenso que ir de uma ponta a outra me cansava muito, mas cresci e já corri muitas voltas nele todo em um único dia.
quando eu era adolescente, me escondi no meio do mato com um menino para dar uns pegas nele. a cada barulho de folhas, eu ficava tensa. será que vinha chegando um guarda? ou se aproximava uma criança que ficaria traumatizada com a cena? não consegui aproveitar com esses pensamentos na cabeça e quis sair dali. ele não entendeu nada, pois fui eu que puxei ele pra lá. evitei essa memória durante um tempo, mas hoje acho engraçado.
mais ou menos nessa mesma época, matei aula e fui passar a tarde no bosque com minhas amigas. fomos embora a noite e nos deparamos com o portão fechado. tivemos que pular as grades que um dia já foram verdes e hoje são amarelas. rasguei minha calça nos joelhos, pareceu descolado e não que foi consequência de uma besteira.
comecei a vida adulta, me apaixonei em agosto de 2024 por uma garota que conheci no ensino médio. a gente ia se ver várias vezes nesse bosque. ela é a N de nostalgia do meu poema para todas as garotas que já amei, e cá entre nós, ela é a minha figura favorita desse texto. foi no bosque que eu levei "flores canábicas" para ela, a gente fumava e conversava sobre a vida. ela me contava sobre o desenvolvimento dela no terreiro e foi quando eu percebi que quem tem exu caveira de frente tem um olhar muito marcante. ela fala francês e eu perguntava como se dizia várias palavras no idioma (esqueci de todas e só aprendi mesmo a falar que não falo francês). ela queria ser comissária de bordo e a gente observava os aviões no céu de um ponto alto bem específico do bosque. acredita que eu tenho o hábito até hoje de subir lá sozinha pra fumar e observar os aviões?
enfim, são tantas memórias com tantas pessoas em um único local. só mencionei aqui o que passou na minha cabeça na hora, mas não conseguiria listar todas as lembranças que tenho de lá. sorri pensando nisso e subi a rua de volta ao meu ponto de ônibus.
essa é uma rua calma com muitas casas bonitas. sempre que passo por ela, sinto desejo de abundância e me vem na cabeça o mantra sagrado dedicado à deusa lakshmi: om sri lakshmi namaha. saudações e reverências à grande deusa da fortuna e abundância.
se você me perguntar o que é abundância para mim, eu diria isso: ter uma casa bonita, em um lugar tranquilo, perto de lugares bons para comer... mas na verdade, abundância é muito mais do que isso.
tinha um casal mais à minha frente, lá em cima. acredito que eles estavam no poke também e saíram minutos antes de mim. já é o terceiro casal que observei. eles pararam na calçada para tirar uma selfie. quando passei por eles, pensei que aparentam estar felizes, em uma fase doce do relacionamento. lembrei do meu amor.
me veio novamente as reflexões que tive sobre minha vida neste momento. eu e ele estamos juntos há uns 10 meses, e me dei conta que hoje, dia primeiro, fazemos cinco meses de namoro. gosto que ele me pediu em namoro no dia 1, pois todo começo de mês fico feliz por completar mais um mês ao lado dele.
antes dele, eu nunca pensei em me casar. sempre tive uns relacionamentos meio sem futuro em que eu não era tão apegada. sempre me visualizava mais feliz sozinha, e depois de um tempo eu enjoava da pessoa. mas hoje, eu penso com frequência nisso pra nós dois.
na verdade, como casamento nunca foi algo na minha lista de desejos, ainda estou "praticando" a ideia de me casar um dia. de vez em quando, eu olho ideias de decorações no pinterest, mas não sei direito o que eu gostaria. só acho que precisa ter amarelo porque a gente usa muito o emoji de coração amarelo. enfim... vai levar alguns anos até isso acontecer. eu penso mais em termos nossa casinha ou um apê bonito, e que a “fase doce do relacionamento” seja o natural na nossa rotina. estou vivendo um amor muito saudável.
no dia 8 de novembro de 2022, eu escrevi aqui: "devo dizer que minha vida vai indo bem. ela não está perfeita, mas um dia eu vou estar em uma faculdade boa, trabalhar com algo que eu gosto, ter minha casa com gatinhos e um relacionamento saudável com alguém. vou lembrar dos estresses na minha adolescência e do meu ensino médio e achar engraçado, ou que poderia ter sido melhor, ou só não ligar, porque meu presente vai estar sendo muito melhor. e espero estar certa."
gente, que lindo ler isso de mim mesma. eu manifestei, pois tenho tudo isso agora, e quero mais. esther de 18 anos, você estava certa, estamos achando engraçado as nossas vivências e sem arrependimentos do passado porque o presente está sendo muito bom.
eu continuo pensando principalmente em mim e em objetivos que eu já tinha antes de ter alguém. também não abro mão de ter momentos sozinha. sei que já disse isso, mas eu gosto muito de sair pra comer sozinha. não sei se prefiro isso ou sair pra beber sozinha (acho incrível que também tenho registros aqui de quando fiquei bêbada pela primeira vez, hoje eu sou uma cachaceira). ir ao cinema solo também é legal.
gosto de fazer várias coisas sozinha, é legal quando você se acostuma com isso e a não depender de alguém pra se divertir. mas aprendi que também é muito gostoso dividir tudo isso - a vida - com alguém.
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